segunda-feira, 21 de abril de 2008

KOTHE FAZ LEITOR ENTRAR PELOS CÂNONES

Começo dizendo que não li “O Cânone Imperial”, de Flávio Kothe, editado pela Universidade de Brasília. Bastou-me o anterior, “O Cânone Colonial”, que saiu pela mesma editora, ratificando que a UnB presta, com tais publicações, um desserviço à cultura e ao bom gosto literário brasileiros.

Constato, porém, pela leitura da crítica “O mapa da tradição”, do professor Fábio de Souza Andrade no caderno “Mais” da Folha de S.Paulo de 22 de abril de 2001, que Kothe insiste em perpetrar barbarismos como os que tornam seu livro anterior simplesmente risível. Possuidor de tantos títulos acadêmicos, o escritor da UnB persiste em pretender reduzir, de forma canhestra, valendo-se de uma retórica maniqueísta e empobrecida, grandes nomes de nossa história e literatura. No “Cânone Colonial”, era o poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, graças a uma interpretação desastrada de um de seus textos, questionado em sua coerência política e rotulado de escravocrata. No “Imperial”, Machado de Assis é diagnosticado como limitado, frívolo e racista.

Surpreendentemente, Flávio Kothe continua impune e parece não ter aprendido nos últimos anos: seu estilo permanece patético (“regressivo, bombástico e trocadilhesco”, segundo Fábio Andrade), como já revelavam os títulos dos capítulos de “O Cânone Colonial”. Nesse sentido, a amostra citada pelo professor Andrade é de fato lapidar, “fala por si e resume o livro”. Vejamos: “O enigma da capeta Capitu é o enigma do capítulo, mas a capitulação em seus capítulos precisa ser recapitulada para ver a cabeça que está por trás disso”. Dispensa mais comentários.

Um comentário:

Unknown disse...

Não conheço o homem, Sérgio, mas pelo seu comentário, trata-se de um equívoco mal alfabetizado que anda e, horror, publica. Na forma, ele atolou nas assonâncias e aliterações; no conteúdo, na má-fé. Vc disse que ele tem um monte de títulos, será amigo daquele reitor gringo da UnB que saiu corrido de lá pelos estudantes? Machado 'racista'? Certamente ele não leu as considerações que Brás Cubas faz de seu cunhado em suas "Memórias Póstumas..."; tampouco conhece o conto do autor "Pai contra Mãe". Um espetáculo! Não leu e quer comentar, certo de que o resto da humanidade partilha sua falta de leitura e que, portanto, acreditará nele.Triste...