Está aberta na Internet desde 21 de abril de 2008 a votação que escolherá os 100 nomes que mais influíram na cultura latino-americana. O Brasil terá direito a 14 na lista final, mas nesta fase cada votante só pode indicar um. Eu sugiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho... Preencha o formulário (é bem simples) e vote em http://www.cac-acc.org/
Ajude a divulgar esta iniciativa. Copie e cole o texto acima e repasse aos seus amigos !
Eis alguns títulos sobre o genial artista que tive oportunidade de pesquisar, inclusive alguns de ficção:
ANDRADE, Mário de – O Aleijadinho e Álvares de Azevedo – RA Editora, 1935
BARBOSA, Waldemar de Almeida – O Aleijadinho de Vila Rica – Itatiaia/Edusp, 1988
BARROSO FILHO, Francisco – Museu Aleijadinho (catálogo) – s/d
BRETAS, Rodrigo José Ferreira – Passos da Paixão – O Aleijadinho – Alumbramento, 1989
COELHO, Ronaldo Simões – Pérola torta – Dimensão, 1995
DONATO, Hernâni – O rio do tempo – Círculo do Livro – s/d
FREUDENFELD, A.D. – O Aleijadinho – Edições Melhoramentos, s/d
GONZAGA, Tomás Antônio – Confidências de um Inconfidente – Psicografado por Marilusa Moreira Vasconcellos – Radhu, 1980
JARDIM, Márcio – O Aleijadinho – uma síntese histórica – Stellarum, 1995
JARDIM, Márcio – Aleijadinho: catálogo geral da obra, RTKF, 2007
JORGE, Fernando – O Aleijadinho – Difel, 1971
KELLY, Celso – O Profeta Aleijadinho – Livraria São José, 1964
LEONARDOS, Stella – Romanceiro do Aleijadinho – Itatiaia, 1984
MACEDO, Sérgio D.T. – Tiradentes e o Aleijadinho – Record, 1964
MACHADO FILHO, Aires da Mata – O Enigma do Aleijadinho e outros estudos mineiros – José Olympio, 1975
MOOG, Vianna – O Aleijadinho – (Condensado de um artigo), in Seleções do Reader’s Digest – novembro de 1949.
MORAES, Geraldo Dutra de – O Aleijadinho de Vila Rica – Conselho Regional de Farmácia de S.Paulo, 1977
MÜLLER, Leandro – O código Aleijadinho – Espaço e Tempo, 2006
OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de – Aleijadinho - Passos e Profetas – Itatiaia/Edusp, 1984
PIRES, Heliodoro – Mestre Aleijadinho - Vida e Obra de Antônio Francisco Lisboa - Livraria São José, 1961
REZENDE, Angélica de – Lembrando Ouro Preto e Aleijadinho - Ed. da autora, 1965
SABOYA, Jackson – O Vale dos Bruxos – Nova Era, 1996
VASCONCELLOS, Marilei Moreira – Aleijadinho (iconografia maçônica) – Atlan, 1988
VASCONCELLOS, Sylvio de – Vida e Obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho – Cia. Editora Nacional, 1979
Nota: Além destes de identificação mais imediata, há inúmeros capítulos e referências sobre o Aleijadinho em livros e periódicos sobre arquitetura colonial, barroco, história da arte brasileira, Ouro Preto e mesmo a Inconfidência Mineira.
Por exemplo, em seu ótimo estudo “Tiradentes: A Inconfidência diante da História”, (edição do autor, 1993), José Crux Rodrigues Vieira dedica 10 páginas ao Aleijadinho, enfocando-o do ponto de vista de sua ligação com o grupo inconfidente.
Na revista “Barroco” nº 2 (UFMG, 1970), o pesquisador Hélio Gravatá, em 118 páginas, lista e comenta 1.140 fontes de referência bibliográfica sobre o Aleijadinho, incluindo livros, artigos de periódicos, etc.
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
KOTHE FAZ LEITOR ENTRAR PELOS CÂNONES
Começo dizendo que não li “O Cânone Imperial”, de Flávio Kothe, editado pela Universidade de Brasília. Bastou-me o anterior, “O Cânone Colonial”, que saiu pela mesma editora, ratificando que a UnB presta, com tais publicações, um desserviço à cultura e ao bom gosto literário brasileiros.
Constato, porém, pela leitura da crítica “O mapa da tradição”, do professor Fábio de Souza Andrade no caderno “Mais” da Folha de S.Paulo de 22 de abril de 2001, que Kothe insiste em perpetrar barbarismos como os que tornam seu livro anterior simplesmente risível. Possuidor de tantos títulos acadêmicos, o escritor da UnB persiste em pretender reduzir, de forma canhestra, valendo-se de uma retórica maniqueísta e empobrecida, grandes nomes de nossa história e literatura. No “Cânone Colonial”, era o poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, graças a uma interpretação desastrada de um de seus textos, questionado em sua coerência política e rotulado de escravocrata. No “Imperial”, Machado de Assis é diagnosticado como limitado, frívolo e racista.
Surpreendentemente, Flávio Kothe continua impune e parece não ter aprendido nos últimos anos: seu estilo permanece patético (“regressivo, bombástico e trocadilhesco”, segundo Fábio Andrade), como já revelavam os títulos dos capítulos de “O Cânone Colonial”. Nesse sentido, a amostra citada pelo professor Andrade é de fato lapidar, “fala por si e resume o livro”. Vejamos: “O enigma da capeta Capitu é o enigma do capítulo, mas a capitulação em seus capítulos precisa ser recapitulada para ver a cabeça que está por trás disso”. Dispensa mais comentários.
Constato, porém, pela leitura da crítica “O mapa da tradição”, do professor Fábio de Souza Andrade no caderno “Mais” da Folha de S.Paulo de 22 de abril de 2001, que Kothe insiste em perpetrar barbarismos como os que tornam seu livro anterior simplesmente risível. Possuidor de tantos títulos acadêmicos, o escritor da UnB persiste em pretender reduzir, de forma canhestra, valendo-se de uma retórica maniqueísta e empobrecida, grandes nomes de nossa história e literatura. No “Cânone Colonial”, era o poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, graças a uma interpretação desastrada de um de seus textos, questionado em sua coerência política e rotulado de escravocrata. No “Imperial”, Machado de Assis é diagnosticado como limitado, frívolo e racista.
Surpreendentemente, Flávio Kothe continua impune e parece não ter aprendido nos últimos anos: seu estilo permanece patético (“regressivo, bombástico e trocadilhesco”, segundo Fábio Andrade), como já revelavam os títulos dos capítulos de “O Cânone Colonial”. Nesse sentido, a amostra citada pelo professor Andrade é de fato lapidar, “fala por si e resume o livro”. Vejamos: “O enigma da capeta Capitu é o enigma do capítulo, mas a capitulação em seus capítulos precisa ser recapitulada para ver a cabeça que está por trás disso”. Dispensa mais comentários.
DESPREPARO INTELECTUAL
DESPREPARO INTELECTUAL
“O Cânone Colonial”, de Flávio Kothe (416 páginas, Editora UnB) é um livro surpreendente. Seu autor coleciona títulos acadêmicos, como os de mestre, doutor, catedrático e livre-docente em literatura, relacionados na orelha do volume. Uma de suas propostas é verificar “a falta de resistência de textos clássicos a uma análise crítica”. Assim, o leitor procura a obra na expectativa de encontrar uma discussão séria sobre a literatura colonial brasileira, realizada a partir de uma pesquisa abrangente e com a credibilidade de um especialista. Porém, este livro se diferencia da maioria dos ensaios publicados. Afinal, ele serve de veículo a um dos mais absurdos erros de interpretação de texto de nossa literatura. No último capítulo, “O Arcadismo de Gonzaga”, dedicado ao estudo (?) da obra do poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), Flávio Kothe examina a famosa Lira nº 1. O poema, que inicia com “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, que viva de guardar alheio gado”, diz, pouco depois:
“Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;”
Assim empregada, a palavra “casal” tem o sentido, registrado no dicionário Aurélio, de pequena propriedade rústica; granja. É desse modo que a utiliza Eça de Queirós, em seus “Contos” (página 368): “Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais”. Portanto, “ter próprio casal” quer dizer: ser proprietário de uma espécie de sítio, onde o poeta “assiste”, ou seja, mora, e de onde retira os elementos necessários a sua subsistência. Surpreendentemente, o “mestre” Flávio Kothe parece ignorar ou desprezar essa lição básica. Acredite se quiser, mas ele conclui, à página 398:
“Um “casal” - que possa “dar” vinho, legume, fruta, azeite – só pode ser um casal de escravos”.
E antes que o leitor se refaça, arremata com o seguinte juízo histórico-político sobre Gonzaga:
“ É estranho que se faça de um dono de escravos um libertador”.
Tamanho despropósito bastaria para marcar o livro. Mas o volume é ainda pontuado por expressões inadequadas e fora do contexto, como a afirmação (além do mais, inverídica) , à página 397, de que Marília viria a casar-se “com um ricaço qualquer” ou, logo a seguir, sobre o romance frustrado entre ela e Gonzaga: “A tragédia mineira acaba em pizza”. O mesmo capítulo tem outras pérolas como referir-se a Marília (cujo verdadeiro nome era Maria Dorotéia Joaquina de Seixas) como “Dorotéia de Castro”(página 409).
Em síntese, fica da leitura de “O Cânone Colonial” a amarga constatação de que, infelizmente, ainda no Brasil o despreparo intelectual pode travestir-se de sabedoria professoral, de forma aparentemente impune.
(*) Sergio Amaral Silva é jornalista, escritor e pesquisador da Inconfidência Mineira.
“O Cânone Colonial”, de Flávio Kothe (416 páginas, Editora UnB) é um livro surpreendente. Seu autor coleciona títulos acadêmicos, como os de mestre, doutor, catedrático e livre-docente em literatura, relacionados na orelha do volume. Uma de suas propostas é verificar “a falta de resistência de textos clássicos a uma análise crítica”. Assim, o leitor procura a obra na expectativa de encontrar uma discussão séria sobre a literatura colonial brasileira, realizada a partir de uma pesquisa abrangente e com a credibilidade de um especialista. Porém, este livro se diferencia da maioria dos ensaios publicados. Afinal, ele serve de veículo a um dos mais absurdos erros de interpretação de texto de nossa literatura. No último capítulo, “O Arcadismo de Gonzaga”, dedicado ao estudo (?) da obra do poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), Flávio Kothe examina a famosa Lira nº 1. O poema, que inicia com “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, que viva de guardar alheio gado”, diz, pouco depois:
“Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;”
Assim empregada, a palavra “casal” tem o sentido, registrado no dicionário Aurélio, de pequena propriedade rústica; granja. É desse modo que a utiliza Eça de Queirós, em seus “Contos” (página 368): “Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais”. Portanto, “ter próprio casal” quer dizer: ser proprietário de uma espécie de sítio, onde o poeta “assiste”, ou seja, mora, e de onde retira os elementos necessários a sua subsistência. Surpreendentemente, o “mestre” Flávio Kothe parece ignorar ou desprezar essa lição básica. Acredite se quiser, mas ele conclui, à página 398:
“Um “casal” - que possa “dar” vinho, legume, fruta, azeite – só pode ser um casal de escravos”.
E antes que o leitor se refaça, arremata com o seguinte juízo histórico-político sobre Gonzaga:
“ É estranho que se faça de um dono de escravos um libertador”.
Tamanho despropósito bastaria para marcar o livro. Mas o volume é ainda pontuado por expressões inadequadas e fora do contexto, como a afirmação (além do mais, inverídica) , à página 397, de que Marília viria a casar-se “com um ricaço qualquer” ou, logo a seguir, sobre o romance frustrado entre ela e Gonzaga: “A tragédia mineira acaba em pizza”. O mesmo capítulo tem outras pérolas como referir-se a Marília (cujo verdadeiro nome era Maria Dorotéia Joaquina de Seixas) como “Dorotéia de Castro”(página 409).
Em síntese, fica da leitura de “O Cânone Colonial” a amarga constatação de que, infelizmente, ainda no Brasil o despreparo intelectual pode travestir-se de sabedoria professoral, de forma aparentemente impune.
(*) Sergio Amaral Silva é jornalista, escritor e pesquisador da Inconfidência Mineira.
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